Alma penada

então havia como que desencarnado -
pois desconheceu sua poesia
e vaga a buscar noutros mundos, talvez,
um suspiro de joguetes insanos,
um desatino tão maldito quanto intenso.
perdeu-se, ó coitada de minha alma vã.
vaga pelo cru limiar da loucura
a caçar um porto quase seguro:
é tão tola essa alma desalmada
que por não acreditar em nada
não sabe que há muito se encontrou.

 

(poema do livro “fluxo-verso” – Oitava Rima Editora, 2014 – que dedico neste post aos meus amigos Pablo Flora e Rodrigo Della Libera)

Lançamento de “fluxo-verso”, meu segundo livro de poemas

Esse ano começou chutando o balde. Tensão de roleta-russa.

Mas nada disso importa, porque dia 29/07 é o lançamento de fluxo-verso, meu novo livro de poemas pela Oitava Rima Editora!
Vem com o vento e vem bonito!

convite_fluxo-versoPara quem tem FB, é só conferir mais detalhes no link do evento: CLIQUE AQUI!

A tempo: decidi fazer o lançamento em um bar legal para receber bem todos os amigos! Nada de correria… Vai ter conversa, muita alegria e brindes a noite toda!

O lugar escolhido (através de uma sugestão incrível de um amigo) é o Sabiá, que fica em SP lá no coração da Vila Madalena. Super aconchegante e sem frescura, exatamente do jeito que tem que ser. E dizem as boas bocas que a comida lá é uma delícia!

FOTO 1

Foto: Google Imagens

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Foto: Blog Boteco&Cerveja

 

 

 

 

As paredes do local são decoradas com painéis muito legais do artista Sergio Fabris (a foto é do blog Boteco&Cerveja).

 

Todo mundo está convidado e a festa não tem hora para terminar.

EVOÉ!

refúgio para o que será eterno

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Se alugarem esta casa, acabou. Porque tudo isso aqui é sexo, e o sexo não transcende, não vislumbra aquilo que é impalpável. Estamos abraçados e eu sei que tudo termina com o gozo, e o gozo dura até o momento do girar da chave na porta. Vem mais perto, amor, porque eu quero ver se consigo sentir os seus pensamentos. Não se levante, não desça as escadas. Eu olho aqui de cima e seu corpo escuro sob o sol no pátio, nu e vivo em meio à fumaça do cigarro. Meus olhos e meu coração se derramam todos dessa janela sobre você, e se eu pudesse, se impedisse que a casa nos fosse tirada, eu mesma me jogaria. Mas as badaladas do relógio me repeliram do parapeito, os três anúncios dessa tarde quente e de sua finitude. Fora daqui as badaladas não são arrastadas e sofridas. E por isso eu sei que a casa aprisiona todo o sentimento, e ele não passa das paredes, o amor. É ele que não transcende, na verdade. Deito no chão e ouço seus passos em direção ao banheiro. Você se lembrou de levar um lençol para nos aquecermos de toda a ausência, mas com os ouvidos colados na madeira eu posso entender a sua relutância na volta. Não tema, amor, porque quando a chave encontrar a porta não mais seremos. E talvez os novos donos dessa casa que nunca foi nossa possam encontrar no silêncio das horas os nossos gritos e o êxtase, e as paredes possam enrubescer por causa do amor que nos roubaram. E talvez sejamos para sempre aqui, somente aqui, almas perdidas da evolução, corpos rarefeitos aprisionados nas três badaladas. Eu me contentaria com isso. Riria até a madrugada e correria nua pelas escadas. E me jogaria da janela sobre seu corpo no pátio, sem medo da espera ou do desencontro. Eternamente. Deite aqui, amor, nas minhas coxas. Deixe-me passear os dedos entre os anéis pelo menos uma vez. Venha, venha logo, que eu já posso ouvir o tilintar das chaves. Agora os passos na escada e as badaladas. Já são três horas.